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Crimes comuns durante a ditadura voltam a tona no governo Bolsonaro.

A prática é antiga, mas o viés é novo. Trata-se de um tipo de crime muito praticado durante a ditadura militar, que não podia sequer ser divulgado pela mídia, quanto menos investigado, ou punido. Em pleno ano de 2019, o que muda é o fato da divulgação ser permitida, mas sob alegação de que se tratou de um “lamentável engano”, ou “algo que pode acontecer”, como se 80 tiros para assassinar um pai de família pudessem ser considerados engano, ou algo aceitável, que possa acontecer!

O episódio em si, já é horrendo! Se torna mais absurdo ainda se somado ao fato das autoridades agirem como se não significasse coisa alguma. Trata-se de uma banalização total da vida humana, considerando que, nem o prefeito da cidade, nem o governador do estado e nem o próprio presidente da república, demonstraram nenhum tipo de solidariedade para com a família da vítima.

As únicas palavras proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro, é de que confia na justiça militar, num total gesto de indiferença para com o sofrimento dos familiares.

Vale ressaltar ainda que os militares que deram 80 tiros “por engano”, em um inocente, podem ser protegidos por lei sancionada por Michel Temer que, ao colocar o estado do Rio sob intervenção militar, fez várias alterações no artigo 9° do Decreto-Lei n° 1001 do Código Militar (de 21 de outubro de 1969) e passou a vigorar com a seguinte redação:

“Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por militares das Forças Armadas contra civil, serão da competência da Justiça Militar da União, se praticados no contexto...”. Com isso, os tribunais civis ficam impedidos de agir e promover a justiça.

Vivemos tempos sombrios, pois a violência praticada pelo estado contra um inocente é muito mais grave do que a violência pratica pelo crime organizado, pois contra ela não existe defesa.

compendio.com.br, 11/04/2019.




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